“População do Lourenço passa fome com o garimpo fechado”, diz prefeito de Calçoene

PREFEITO DE CALÇOENE - JONES CAVALCANTE - FOTO-JACIGUARA CRUZ-ALAPAtendendo a um pedido do deputado Paulo Lemos (PSOL), o prefeito de Calçoene, Jones Cavalcante, usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amapá (Alap) para pedir a atenção dos parlamentares quanto a situação do distrito de Lourenço, após fechamento do garimpo, principal atividade econômica do local. De acordo com o gestor, cerca de sete mil trabalhadores que dependem da atividade mineradora estão passando necessidade por ter sido desativada depois de deflagrada operação Minamata pelo Ministério Público e Polícia Federal, em novembro de 2017.

Por ser a extração do ouro a principal atividade econômica de Lourenço, o prefeito conta que as famílias passam fome por estarem impedidos de trabalhar no garimpo. “Nosso orçamento da Assistência Social corresponde a pouco mais de R$ 107 mil, e as cestas básicas que compramos com esse recurso não são suficientes, assim como a própria verba. O povo do Lourenço sofre por causa de meia dúzia de irresponsáveis. Estamos pagando por um preço muito alto”, disparou o prefeito.

A Operação Mianamata foi deflagrada em novembro do ano passado e resultou na prisão de políticos, empresários, servidores públicos, acusados de exploração depredatória de recursos naturais, e utilizarem mão de obra submetida a condições de trabalho análogas à de escravo. A ação contou ainda com o apoio do Ministério do Trabalho e Corregedoria Geral da União.

PAULO LEMOS - GARIMPO DO LOURENÇO - FOTO-JACIGUARA CRUZ_ALAPPaulo Lemos disse que esta é uma causa de todos os parlamentares, independente de cores partidárias. “É uma situação desumana hoje a que passam as famílias do Lourenço. É importante garantirmos todo apoio necessário até que se solucione a questão”, afirmou. O prefeito pediu à Comissão dos Direitos Humanos da Alap, da qual Lemos é membro, para promova audiência pública visando à volta das atividades do garimpo.

O presidente Kaká Barbosa (Avante) disse que a preocupação com o problema é de todo o Parlamento. “Falo em nome dos 24 deputados e afirmo que todos estão preocupados com a situação. O garimpo é tudo para os moradores do Lourenço. Já estou agendando uma reunião com o procurador federal Rodolfo Lopes para tratar sobre o assunto, participarei da reunião com o juiz federal, hoje à tarde, e já determinei à Procuradoria desta Casa que estude uma forma de ajudarmos diretamente a população”, garantiu.

A Comissão de Indústria, Comércio, Minas e Energia (CIC), presidida pela deputada Maria Góes (PDT), seguirá nesta quarta-feira, 8, para a localidade. “Proponho uma reunião com o MPF e com o juiz federal para encontramos uma solução”, disse Augusto Aguiar (PMDB), que é membro da CIC.

 

Ascom/Paulo Lemos
Júnior Nery – jornalista (DRT 343-AP)
FOTO: Jaciguara Cruz/Alap