Paulo Lemos pede a secretário de Saúde do Amapá que avalie sua permanência no cargo

PRONTO ATENDIMENTO INFANTIL DE MACAPÁ

O abandono institucional na Saúde pública do Amapá chega ao extremo, com morte de pelo menos quatro crianças, ocorridas na semana passada, no Pronto Atendimento Infantil (PAI), pela insuficiência de leitos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para atender à grande demanda. O deputado Paulo Lemos, pedirá ao secretário estadual da pasta, Gastão Valente Calandrini, que avalie a sua gestão e permanência no cargo.

A Saúde pública é pauta constante nos noticiários nacionais. Nesta quarta-feira, 19, foi mostrada a triste realidade do caos instalado no PAI, com crianças acomodadas até mesmo no chão, que oferece risco de contaminação, além de uma cena desumana. O próprio parlamentar já chegou a denunciar vários problemas existentes no setor, mas, o Governo do Amapá, sequer, conseguiu ainda justificar as mazelas ou prever melhorias na prestação dos serviços.

“Não podemos mais viver assim. É triste a realidade de quem precisa da saúde pública, mas, é mais absurdo o Estado conhecer os problemas e não propor, sequer, uma solução eficiente – e rápida, para mudar essa realidade. E nesse contexto, quem sofre na pele esse desleixo institucional é o povo, que não tem alternativa para tratar da saúde, senão ser assistida no sistema público”, dispara Lemos.

O descaso acontece em todas as unidades de saúde administradas pelo Governo do Amapá. Em abril deste ano, Lemos denunciou problemas na Unidade Mista de Santana, o que ele chamou de colapso.

 

“À época, a ala de nefrologia ainda não havia sido foi inaugurada. E agora, não há especialistas suficientes. Foi de nos indignar ver um gerador novo de energia sem uso, ao relento, pegando chuva e sol, enquanto o governo paga por um equipamento particular. Lé também encontramos grávidas sem conforto e em trabalho de parto, enfim. É triste a realidade pela qual passa o povo que necessita daquele local para cuidar da saúde”, relata o deputado.

Lemos também já chegou a questionar sobre os benefícios que a Saúde obteve por meio dos decretos emergências, os quais, sem burocracia, possibilitariam ao Estado promover melhorias significativas ao setor. Mas, em um ano, somada as prorrogações dos decretos de 180 dias cada, ninguém viu ou expôs benfeitorias no setor. “Até hoje pedimos para que a Saúde prestasse conta dos recursos obtidos com os decretos de emergência, mas nada foi apresentado até o momento. Não sabemos o que o Governo fez”, questiona Lemos.

Além da falta de leitos, os próprios enfermeiros do PAI denunciam que a situação do pronto atendimento está no limite de sua capacidade, funcionando com total precariedade e graças aos esforços dos próprios profissionais. A unidade, a única especializada no atendimento de emergência de crianças, está sem o monitor cardíaco há quase um mês, e a direção não fala em previsão de compra de novo equipamento.

“Para tentar suprir o problema, estamos usamos um ‘oxímetro’ de pulso, que é utilizado para medir os batimentos, mas não o é adequado, pois não faz um monitoramento apropriado como o monitor cardíaco. Há sempre um profissional ao lado para acompanhar a frequência do paciente”, conta uma enfermeira que prefere não se identificar.

A profissional reitera que até o jelco – uma espécie de acesso para medicação intravenosa nos pacientes, de 24 mm de calibre, ideal para crianças, não há disponível na unidade. Para não deixa-los sem medicação, os enfermeiros utilizam tamanhos mais grossos, de 22 mm, o que causa desconforto nos pacientes, além da fácil perda da veia.

Equipamentos para medir a pressão arterial também são inexistentes no PAI. Para se ter uma ideia do caos, a equipe só conta apenas com um equipamento para verificar a glicemia [nível de açúcar no sangue], quando o ideal, era a existência de pelo menos um em cada setor do Pronto Atendimento Infantil. “Estamos trabalhando no limite”, desabafa a enfermeira.

Situação generalizada

Os profissionais também relatam que no Hospital de Clínicas Alberto Lima (HCAL) não há, inclusive, seringas de 20 ml, bem como demais equipamentos considerados básicos. “Neste caso, para injetar a medicação nos pacientes, ou os familiares compram as seringas ou nós, enfermeiros, tiramos do nosso bolso para amenizar o sofrimento do cidadão”, contam.

Na terça-feira, 18, oito pacientes de trauma foram encaminhados do Hospital de Emergências para o HCAL, visando a cirurgias, que estão suspensas pela falta e de leitos e material para realizá-las. “O que nos preocupa, é que há casos de pessoas que morrem aqui [HCAL], mesmo em situação de média complexidade, devido a uma fratura. No PAI a situação ainda é pior porque, enquanto esperam pelo leito no chão, estão também na iminência de contrair uma infecção, que podem levá-las à morte”, lamentam os enfermeiros.

O caos é generalizado. A Promotoria da Saúde constatou falta de medicamentos do tipo antibióticos, Raio-X e fisioterapeutas no Hospital da Mulher Mãe Luzia. Na unidade também não há cateter de acesso venoso, além da falta de gaze e esparadrapo. Esse tipo de material, considerados básicos, são solicitados aos próprios familiares dos pacientes.

 

Júnior Nery – assessor de Comunicação/Deputado Paulo Lemos
DRT 343/AP

 

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