A cultura e a educação amapaense perdem o seu maior mestre. Morre Antônio Munhoz Lopes

Professor Munhoz morreu aos 85 anos, na tarde desta segunda-feira, 22, por insuficiência renal. Deputado estadual Paulo Lemos (PSOL-AP) lamenta a perda de uma das mais brilhantes mentes da educação e da cultura amapaense

HOMENAGEM DO DEPUTADO PAULO LEMOS PELA MORTE DO PROFESSOR ANTÔNINO MUNHOZA história de vida do professor Munhoz se confunde com a história do Amapá, estado que escolheu viver e morar. Isso remonta ao final dos anos de 1950, quando chegou a Macapá, após ingressar no governo do ex-território Federal do Amapá, em 1958, no cargo de delegado do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS). No ano seguinte, concluiu o curso de Bacharelado em Direito, pela antiga Faculdade de Direito do Pará, Estado onde nasceu, em 10 de fevereiro de 1932.

Professor Munhoz era filho do farmacêutico José Ayres Lopes e de dona Izabel Munhos Lopes. Iniciou os estudos tardiamente, aos dez anos, com um professor particular. Em 1960, assumiu a direção do Colégio Amapaense. Foi também diretor da Divisão de Educação; secretário da Justiça Federal de Primeira Instância e orientador educacional. Apaixonado pelas artes, dirigiu o Conservatório Amapaense de Música e a Escola Cândido Portinari, como interino, na década de 1990.

Ajudou a formar inúmeras outras grandes mentes ilustres do Amapá, dentre médicos, juízes e governadores. Pela conduta ética e pela dedicação à educação, em 1969 foi escolhido “Mestre do Ano”, ocasião em que recebeu uma caneta de ouro das mãos do governador Ivanhoé Gonçalves Martins.

Munhoz era um homem franzino e de estatura baixa, mas de uma grandiosidade intelectual desmesurada. Viajou o mundo. Tinha fome de cultura. Seu carisma era o seu principal cartão de visita. Conquistava a todos pela eloquência e pela peculiar sabedoria de gente que entendia desde muito cedo o seu papel na sociedade, na política; no mundo.

Fez nome não somente no Amapá, mas também em seus estado natal, onde chegou a ser considerado “um dos pioneiros da verdadeira crítica cinematográfica do Pará”, pela sua conterrânea e crítica de cinema, Luzia M. Álvares, publicado no Jornal paraense “O Liberal”, em dezembro de 1972.

Na sua ânsia pela cultura e pelo conhecimento dos costumes dos povos, conheceu o mundo inteiro e fez amizade por onde passou. E nem a modernidade, como a invenção do e-mail, deixou de lado o prazer visceral de se comunicar por cartas. “Não há prazer igual neste mundo”, chegou a dizer  em uma entrevista em um jornal local no início dos anos 2000.

Em 1996, Antônio Munhoz Lopes foi, enfim, reconhecido como “Cidadão Amapaense”, título concedido pelo então deputado estadual Lucas Barreto. Nada disso, no entanto, o superestimava. Nele percebiam-se a mais casta simplicidade no trato ao próximo. Nunca expunha luxos ou soberbas, mas sabia como poucos a inspirar mentes.

Por ser esse exemplo de homem digno e resiliente, nosso querido professor Munhoz deixará saudosos amigos e centena de milhares de alunos que ele teve ao longo da vida; jovens inspirados pelo mestre a pensar e a absorver o maior dos aprendizados: o amor incondicional pela busca do conhecimento.

Homenagem do mandato do deputado estadual Paulo Lemos (PSOL) a uma das mais emblemáticas personalidades da Amazônia.

Júnior Nery – Assessor de Comunicação/Paulo Lemos
Jornalista: DRT 343/AP 
FONTE: Fonte: Personagens Ilustres do Amapá, obra de Coaracy Barbosa, Vol. II
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